Quem nunca saiu de Lisboa viaja ao infinito no carro até Benfica, e, se um dia, vai a Cintra, sente que viajou até Marte.
Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.
Cheguei a Lisboa, mas a nenhuma conclusão.
Saturday, November 14, 2009
Sunday, August 16, 2009
traduzir o Livro do Desassossego
nessa página literary translations, é possível encontrar um exercício de tradução dum fragmento do Livro do Desassossego. Ao fim da página, clique em "do the exercise" ou aqui para ver quais sinônimos escolheria, se seriam diferentes dos que foram escolhidos. Interessante o questionamento de Margaret Jull Costa: é possível traduzir emoção?
Máximas de Bernardo Soares
"Ter opiniões definidas e certas, instintos, paixões e carácter fixo e conhecido - tudo isto monta ao horror de tornar a nossa alma um facto, de a materializar e tornar exterior. (...) A nossa personalidade deve ser indevassável, mesmo por nós próprios: daí o nosso dever de sonharmos sempre, e incluirmo-nos nos nossos sonhos, para que não seja possível ter opiniões a nosso respeito. (...) E especialmente devemos evitar a invasão da nossa personalidade pelos outros. Todo o interesse alheio por nós é uma indelicadeza ímpar. O que desloca a vulgar saudação - como está - de ser uma indesculpável grosseria é o ser ela em geral absolutamente vã e insincera. (...) Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos" - Livro do Desassossego, 312
Monday, May 4, 2009
A passage from A COLD IN THE SOUL: READING THE BOOK OF DISQUIET IN APARTMENT 62
The Book of Disquiet most often seduced me as a perversely cheerful apologia for withdrawal from everything, for “the sweetness of having neither family nor companions, the gentle pleasure akin to that of exile, in which we feel the pride of distance shade into a hesitant voluptuousness.” Behold the paradise of Bernardo Soares: “A cup of coffee, a cigarette, the penetrating aroma of its smoke, myself sitting in a shadowy room with my eyes half-closed.” Elsewhere he is more elaborate: “To live a dispassionate, cultured life beneath the dewfall of ideas, reading, dreaming and thinking about writing, a life slow enough to be always on the edge of tedium, but considered enough not to slip into it. To live a life removed from emotions and thoughts, enjoying only the thought of emotions and the emotion of thoughts. To stagnate, golden, in the sun like a dark lake surrounded by flowers.” The best guess is that the bending flowers themselves are narcissi. read the entire text here.
Disseram sobre o Livro do Desassossego
"Encontramo-nos perante uma obra de ficção à altura da melhor poesia de Fernando Pessoa. Um domínio da prosa e do estilo literário, uma originalidade de criação e da factura, um poder de evocação e de sugestão, uma ideação profunda e magoada, uma imaginação aliada a uma precisão descritiva, como dificilmente se encontrarão na literatura portuguesa da primeira metade do século XX" António Quadros
Wednesday, April 22, 2009
o retrato de Fernando Pessoa
Que retrato de si mesmo pintaria Fernando Pessoa se, em vez de poeta, tivesse sido pintor, e de retratos? é o que perguntava José Saramago por volta de 85. O texto na sua íntegra foi republicado pelo próprio Saramago em seu blógue. Continue lendo...
Tuesday, April 14, 2009
Ainda a paisagem
É a cidade de Lisboa o que mais promove signos no Livro do Desassossego. Como relacionar, entao, a natureza física da cidade e o seu valor espiritual, metafísico?
Que humano era o toque metálico dos elétricos! Que
paisagem alegre a simples chuva na rua ressuscitada do
abismo!
Oh, Lisboa, meu lar! (71)
Que humano era o toque metálico dos elétricos! Que
paisagem alegre a simples chuva na rua ressuscitada do
abismo!
Oh, Lisboa, meu lar! (71)
Sunday, April 20, 2008
O que é a metáfora da Paisagem em Livro do Desassossego?
A ideia de viajar nauseia-me. Já vi tudo que nunca tinha visto.
Já vi tudo que ainda não vi. O tédio constantemente novo, o tédio de descobrir, sob a falsa diferença das coisas e das ideias, a perene identidade de tudo, a semelhança absoluta entre a mesquita, o templo e a igreja, a igualdade da cabana e do castelo, o mesmo corpo estrutural a ser rei vestido e selvagem nu, a eterna concordância da vida consigo mesma, a estagnação de tudo que vivo só de mexer-se passando. Paisagens são repetições. Numa simples viagem de comboio inútil e angustiadamente entre a inatenção à paisagem e a inatenção do livro que me entreteria se eu fosse outro. Tenha da vida uma náusea vaga, e o movimento acentua-ma. Só não há tédio nas paisagens que não existem, nos livros que nunca lerei. A vida para mim é uma sonolência que não chega ao cérebro. (221-222)
Já vi tudo que ainda não vi. O tédio constantemente novo, o tédio de descobrir, sob a falsa diferença das coisas e das ideias, a perene identidade de tudo, a semelhança absoluta entre a mesquita, o templo e a igreja, a igualdade da cabana e do castelo, o mesmo corpo estrutural a ser rei vestido e selvagem nu, a eterna concordância da vida consigo mesma, a estagnação de tudo que vivo só de mexer-se passando. Paisagens são repetições. Numa simples viagem de comboio inútil e angustiadamente entre a inatenção à paisagem e a inatenção do livro que me entreteria se eu fosse outro. Tenha da vida uma náusea vaga, e o movimento acentua-ma. Só não há tédio nas paisagens que não existem, nos livros que nunca lerei. A vida para mim é uma sonolência que não chega ao cérebro. (221-222)
* um tema constante no Livro do Desassossego é a paisagem inerte, outra. O ser?
Saturday, March 8, 2008
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